domingo, 14 de fevereiro de 2010

Férias de Socióloga

Rio 40º
Tava eu em Ipanema, quando chega um jovem e simpático casal com seus cachorros, um labrador que pulava feliz as ondas e depois cavava areia pra deitar no fresco, enquanto que o seu amigo menor corria feliz atrás das pombas...
Todos brincavam com eles ou observavam felizes as criaturinhas.
Do nada aparece um guarda dizendo que era proíbido os animais e que os levassem.
Os donos chateados levantaram e saíram chamando os cães que deitados, com as orelhas baixas, se recusavam a ir embora.
Quem reclamou foi um visinho de guarda sol, juiz federal que se justificava:
- Me desculpa, mas outro dia eu trouxe o meu e não pude ficar.
Eu: - Se você não pode, não deixa mais ninguem (rindo pra não matar)
Juiz: - Claro, eu sou juiz, a lei é igual para todos.
Eu: - E quando você trouxe o seu não sabia da lei?
Juiz: - Não, sou Juiz Federal.
Eu: - Mãs não é bem informado pelo jeito.
Juiz: - É que cachorros trazem doenças...
Eu: - Você tambem não sabia disso antes, quando trazia o seu cachorro? As pombas que são muitas aqui trazem muito mais, o esgoto que cai na praia ali na frente tambem.
Juiz: - Mas isso nós não podemos controlar.
Eu: - Me chateia essa arrogancia do ser humano de achar que ele, justamente ele que mais prejudica a natureza, tem mais direito sobre ela.
Juiz: - É, mas é lei, não pode e pronto.
Eu: - Eu entendo, você como juiz deve ser um seguidor rigoroso das leis.
Juiz: - Claro, você não é?
Eu: - Ahh se você soubesse... Mas sou socióloga, meu papel na sociedade é justamente o outro ponto, questionar.
Juiz: - Parabéns pela sua profissão, muito bonita.
Eu: - Obrigada, não posso diser o mesmo.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Ensino Profissionalizante

Peguei aulas no Ensino Profissionalizante, no primeiro momento torci a cara, nhé!
Depois descobri que a disciplina seria "Sociologia do Trabalho", comecei achar interessante, minha area de pesquisa, pode ser interessante, acho que aprendo mais dando aula, preparando-as que na graduação. A segunda boa surpresa, o curso forma profissionais para cuidar de idosos, e essa questão do idoso vem me rondando as idéias há algum tempo. Mas o legal desse curso é que não é uma formação voltada pra saúde, não é um tipo de enfermeiro, é muito mais voltado pra uma formação humanista, com boas noções de direito, filosofia, psicologia, sociologia, terapia ocupacional. Além do grupo de alunos tambem ser bastante interessante. Tô animada!!!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Conselho

Ultima semana de aula (5ºsérie)

-Ahhhh professora não passa lição não, conversa com a gente, fala de conselho.

-Não não pessoal, conselho de classe já foi, quem passou passou, quem reprovou reprovou.

-Não professora, conselho de vida!!!

(glup!)

Ensino Religioso

Ensino Religioso? Sou contra!!! Então toma essas aulas...
A Sociologia e a Filosofia travaram uma briga de décadas pela sua inserção obrigatória no ensino básico, tentando provar seu valor etc e taus. Aí me inventam essa disciplina "Ensino Religioso" e a colocam lá sem nenhuma discussão, e sem sequer haver uma licenciatura pra essa formação. Pra mim, algumas noçoes, como historia das religiôes, diversidade religiosa e discussões metafisicas tem que ser dadas respectivamente pelas disciplina de Historia, Sociologia e Filosofia, e ponto final.
Entra eu na sala de aula da 5ºsérie.
-Quem aqui é Católico? (metade da sala levanta a mão)
-E Evangélico? (a outra metade)
-Alguem é de outra religião?
Cristãos com unanimidade em 10 turmas.
-Professora, e você?
-Não tenho religião.
-Mas você acredita em Deus né?
-Não.
Virei as costas e comecei a escrever no quadro. Burburinhos indignados tomaram conta da sala. Acabou a aula, trocando de sala, alunos me abordam nos corredores e na outra turma:
-Você é a professora que não acredita em Deus? É Verdade?
Segundo dia de aula, pedagoga me chama perguntando o que aconteceu na aula que os alunos foram reclamar que teriam aula de ensino religioso com uma professora que não acreditava em Deus.
Voltei pra sala expliquei pra eles a diferença entre igreja e escola, e deixei claro que não iria aceitar preconceitos, inclusive comigo, que toda fé seria alí respeitada, inclusive a não fé.
A partir daí eles ficaram cada vez mais curiosos com a opção que antes parecia absurda, me questionavam muito e eu apenas fazia o mesmo.

O grande começo

Me sinto com sorte, logo de cara já peguei tanta aula e escola legal. As primeiras aulas que peguei foram de educação para adultos da Zona Rural, em seguida me mandaram para outro distrito, numa escola que recebe alunos de um Assentamento do MST e da Reserva indigena dos Kaingangs, não podia ser mais desafiador pra começar. Ainda em 2009 me mandaram pro ensino fundamental em uma escola da periferia de Londrina, e em mais outra para dar Ensino Religioso (terá um post somente sobre essa experiência). Agora em 2010, primeira semana de aula e já tô na ativa denovo, dessa vez peguei novamente as escolas dos distritos (se tornaram muito especiais pra mim) e pra sair da minha area de conforto, peguei aula em dois colégios modelos da zona central de Londrina, em que eu pude estagiar durante a faculdade.
Essa diversidade foi uma chave fundamental nesse começo de carreira, sinto que aprendi tanto em tão pouco tempo, acho que pela minha vontade e interesse sim, mas tambem por essas oportunidades de sorte!!!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Fim da Faculdade. O Começo de Tudo.

Tudo começou no fim, O FIM DA FACULDADE, tava eu formada, Cientista Social, Sociológa, Professora de Sociologia. De um ano para o outro eu passava de "futuro do país" para "indice de desemprego". Me lembro emocionada do dia da colação de grau, o reitor dizendo "Peguem seus canudos e façam suas carreiras". Era essa a dica!
E o mercado de trabalho tava lá me esperando, e esse mercado não parecia com uma luxuosa galeria, tava mais pra uma feira de contrabandos.
Mas passado alguns meses de trabalho sujo e informal... entra em cena ELA ( rufem os tambores) com um metro e meio e pesando zero toneladas, PROFESSORA VANESSA.

Agora, nesse meu segundo ano de trabalho, trabalho que eu escolhi e me dediquei para exercer, quero começar a escrever minhas experiências, para poder me lembrar sempre em detalhes e para compartilhar com pessoas que como eu se interessam por uma educação humanista. Sei que estou só começando, mas não quero nunca perder de vista o que me motiva a exercer com paixão o ensino de sociologia.